Deficiência Múltipla

Definições: Associação de duas ou mais deficiências.
Fonte: Decreto nº 3298/1999 Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes - ONU

Informações básicas sobre Deficiência Múltipla

A) Surdocegueira é uma deficiência única que apresenta a perda da audição e visão de tal forma que a combinação das duas deficiências impossibilita o uso dos sentidos de distância, cria necessidades especiais de comunicação, causa extrema dificuldade na conquista de metas educacionais, vocacionais, recreativas, sociais, para acessar informações e compreender o mundo que o cerca.
B) Múltipla deficiência sensorial é a deficiência auditiva ou a deficiência visual associada a outras deficiências (mental e/ou física), como também a distúrbios (neurológico, emocional, linguagem e desenvolvimento global) que causam atraso no desenvolvimento educacional, vocacional, social e emocional, dificultando a sua auto-suficiência.

Tipos

Surdocegueira:

  • Cegueira congênita e surdez adquirida
  • Surdez congênita e cegueira adquirida
  • Cegueira e surdez congênita
  • Cegueira e surdez adquirida
  • Baixa visão com surdez congênita ou adquirida

Múltipla deficiência sensorial:

  • Surdez com deficiência mental leve ou severa
  • Surdez com distúrbios neurológicos, de conduta e emocionais
  • Surdez com deficiência física (leve ou severa)
  • Baixa visão com deficiência mental leve ou severa
  • Baixa visão com distúrbios neurológicos, emocionais e de linguagem e conduta
  • Baixa visão com deficiência física (leve ou severa)
  • Cegueira com deficiência física (leve ou severa)
  • Cegueira com deficiência mental (leve ou severa)
  • Cegueira com distúrbios emocionais, neurológicos, conduta e linguagem

Dados Estatísticos

É muito difícil precisar números exatos. A razão principal é que a surdocegueira e a múltipla deficiência sensorial, em geral, ocorrem em conjunto com outras deficiências mascarando a deficiência sensorial. Sendo assim, o Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e ao Múltiplo Deficiente Sensorial realizará um censo para mensurar o número exato de surdocegos e múltiplos deficientes sensoriais no Brasil.

Causas

SÍNDROMES:

  • Icterícia
  • Otite média crônica
  • Citomegalovirus
  • Falta de oxigênio
  • Sarampo
  • Traumatismos (acidentes)
  • Glaucoma
  • Medicação teratogênica
  • Retinose pigmentar
  • Tumor cerebral
  • Toxoplasmose
  • Prematuridade
  • Meningite
  • Medicação ototóxica
  • Hidro e microcefalia

Fator rh

  • Caxumba
  • Rubéola materna
  • Pierre Robin
  • Charge
  • Kearns-Lavre
  • Alstrom
  • Sífilis congênita
  • West
  • Bardet-Bredl's
  • Lenox Gausteaux
  • Goldenhar
  • Hallgren
  • Flynn-Aird
  • Cockayne
  • Amaurose de Leber
  • Usher
  • Catarata
  • Casamentos consangüíneos

Fatores de Risco

  • Epidemias de doenças como rubéola, sarampo, meningite
  • Infecções hospitalares
  • Falta de saneamento básico
  • Doenças venéreas
  • Gravidez de risco

Identificação

  • Pode apresentar movimentos estereotipados e repetitivos
  • Não antecipa as atividades
  • Não demonstra saber as funções dos objetos ou brinquedos, utilizando-os de maneira inadequada
  • Pode rir e chorar sem causa aparente
  • Pode apresentar resistência ao contato físico
  • Empurra o olho, provocando sensações
  • Movimenta os dedos e as mãos em frente aos olhos
  • Não se comunica de maneira convencional
  • Pode apresentar distúrbio de sono
  • Não explora o ambiente de maneira adequada
  • Tropeça muito e bate nos móveis, objetos e etc
  • Gosta de ficar em locais com luminosidade
  • Pode não reagir a sons

Exames para ter um diagnóstico correto

  • Exames laboratoriais: Avaliações genéticas
  • Exames médicos: (neurológico, visão, audição e físico)
  • Diagnóstico diferencial

Deficiência: verdades e mitos

A luta por uma sociedade inclusiva passa pela derrubada de mitos, preconceitos e inverdades que ainda permeiam a questão da deficiência.

Verdades

  • Deficiência não é doença;
  • Algumas crianças portadoras de deficiências podem necessitar escolas especiais;
  • As adaptações são recursos necessários para facilitar a integração dos educandos com necessidades especiais nas escolas;
  • Síndromes de origem genética não são contagiosas;
  • Deficiente mental não é louco.

Mitos

  • Todo surdo é mudo;
  • Todo cego tem tendência à música;
  • Deficiência é sempre fruto de herança familiar;
  • Existem remédios milagrosos que curam as deficiências;
  • As pessoas com necessidades especiais são eternas crianças;
  • Todo deficiente mental é dependente.

Dicas

Segundo o CEDIPOD - Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência e a CORDE - Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, existem algumas dicas de comportamento.
Muitas pessoas não deficientes ficam confusas quando encontram uma pessoa com deficiência. Isso é natural. Todos nós podemos nos sentir desconfortáveis diante do "diferente".
Esse desconforto diminui e até desaparece quando há convivência entre pessoas deficientes e não deficientes.
Não faça de conta que a deficiência não existe. Se você se relacionar com uma pessoa deficiente como se ela não tivesse uma deficiência, você vai estar ignorando uma característica muito importante dela. Dessa forma, você não estará se relacionando com ela, mas com outra pessoa, uma que você inventou, que não é real.
Aceite a deficiência. Ela existe e você precisa levá-la na sua devida consideração.
Não subestime as possibilidades, nem superestime as dificuldades e vice-versa.
As pessoas com deficiência têm o direito, podem e querem tomar suas próprias decisões e assumir a responsabilidade por suas escolhas.
Ter uma deficiência não faz com que uma pessoa seja melhor ou pior do que uma pessoa não deficiente.
Provavelmente, por causa da deficiência, essa pessoa pode ter dificuldade para realizar algumas atividades e, por outro lado, poderá ter extrema habilidade para fazer outras coisas. Exatamente como todo mundo.
A maioria das pessoas com deficiência não se importa de responder perguntas, principalmente aquelas feitas por crianças, a respeito da sua deficiência e como ela transforma a realização de algumas tarefas. Mas, se você não tem muita intimidade com a pessoa, evite fazer perguntas íntimas.
Quando quiser alguma informação de uma pessoa deficiente, dirija-se diretamente a ela e não a seus acompanhantes ou intérpretes.
Sempre que quiser ajudar, ofereça ajuda. Espere sua oferta ser aceita, antes de ajudar. Pergunte a forma mais adequada para fazê-lo.
Mas não se ofenda se seu oferecimento for recusado, pois nem sempre as pessoas com deficiência precisam de auxílio. Às vezes, uma determinada atividade pode ser melhor desenvolvida sem assistência.
Se você não se sentir confortável ou seguro para fazer alguma coisa solicitada por uma pessoa deficiente, sinta-se livre para recusar. Neste caso, seria conveniente procurar outra pessoa que possa ajudar.
As pessoas com deficiência são pessoas como você. Têm os mesmos direitos, os mesmos sentimentos, os mesmos receios, os mesmos sonhos.
Você não deve ter receio de fazer ou dizer alguma coisa errada. Aja com naturalidade e tudo vai dar certo.
Se ocorrer alguma situação embaraçosa, uma boa dose de delicadeza, sinceridade e bom humor nunca falha.